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Folha Vale do Paraopeba

Estiagem começa a afetar moradores, mas Copasa nega

Devido à falta de água, a Prefeitura de Igarapé decretou situação de emergência

A longa estiagem que atinge o país desde dezembro do ano passado está ficando cada vez mais crítica.  Devido à seca, incêndios de grandes proporções estão atingindo várias partes de Minas Gerais. Diversas nascentes já secaram, enquanto rios e córregos estão tendo sua extensão diminuída. O que mais assusta os mineiros é a constatação de que os níveis de água nas represas estão cada vez mais baixos. De acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais, devido à estiagem, até setembro deste ano, 149 municípios decretaram situação de emergência. Na mesma época do ano passado, eram 135.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) não revelou os níveis de água dos sistemas produtores de água de Rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores. O órgão afirmou que essas reservas estão com níveis de oscilação previstos para o período de estiagem e que o atendimento à população está normalizado.  Ainda segundo a Copasa, essas três represas, que fazem parte do Sistema Integrado da Bacia do Rio Paraopeba, atendem as cidades de Betim, Contagem, Juatuba, Mário Campos, Mateus Leme, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, São Joaquim de Bicas, Sarzedo, e parte dos municípios de Belo Horizonte, Esmeraldas, Ibirité, Igarapé, Santa Luzia, Lagoa Santa, São José da Lapa e Vespasiano.

De acordo Breno Carone, presidente do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar), a situação das reservas se tornou algo emergencial e ele ainda ressaltou a importância de se cuidar do meio ambiente. “Falta água em alguns pontos da bacia do Paraopeba, como em Pará de Minas. Em Brumadinho e na região também há desabastecimento. Além disso, os níveis dos nossos reservatórios estão cada vez mais baixos. É como está o sistema Rio Manso, por exemplo. E é esse sistema que fornece água para mais da metade de Belo Horizonte e da região metropolitana de BH. Como o quadro tende a piorar nos próximos anos, o uso racional da água é uma obrigação de todos nós”, afirma.

Várzea das Flores

A Represa Várzea das Flores abastece as cidades de Betim, Contagem e Belo Horizonte. A estimativa é que cerca de 450 mil pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) sejam atendidas por esse reservatório. De acordo com Ronner Gontijo, presidente da Associação dos Protetores, Usuários e Amigos da Represa Várzea das Flores (APUA), desde a década de 1970, época da construção do reservatório, ele nunca viu algo igual. “Já passamos por outras temporadas com baixo nível de água, mas não como a de agora. O local vem sofrendo com a estiagem há quase três temporadas. O nível de água da Represa Várzea das Flores está muito baixo”, conta.

Gontijo cita outros fatores que possam estar interferindo no baixo nível de água da reserva. “Nós podemos falar em expansão urbana desordenada, supressão de vegetação, falta de cuidados com as nascentes, conscientização da população de que a água é um bem precioso, entre outros fatores”, explica. 

Igarapé está sendo gravemente afetada 

A cidade de Igarapé recebe o abastecimento de dois sistemas produtores – o córrego Estiva, responsável pelo atendimento de 35% do município, e o sistema Rio Manso, em Brumadinho, que abastece os outros 65%. Segundo a prefeitura, a Copasa afirmou que o longo período de estiagem reduziu a vazão do córrego Estiva, provocando intermitência no abastecimento da cidade. O município possui quase 30 mil habitantes.

Para tratar dessa falta, a Prefeitura de Igarapé criou o Comitê Municipal de Enfrentamento à Crise Hídrica, com intuito de tomar medidas, em conjunto com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e entidades locais. Conforme o órgão, entre as primeiras medidas que foram tomadas está o decreto de estado de emergência no município, demostrando a anormalidade do momento. O decreto tem prazo de 30 dias, mas pode ser prorrogado por mais 180. Ele foi publicado no Diário Oficial do Município no último dia 26. 

A situação de anormalidade prevista nesse decreto é válida para todo o território municipal, em especial os Bairros Novo Igarapé, Vivendas Santa Mônica, Pousada Del Rey, Fazenda Mirante, Vista da Serra, Vale do Amanhecer, União, Cidade Clube Residência, Fernão Dias e Senhora Aparecida, onde o abastecimento está mais escasso por causa de sua localização geográfica (bairros mais altos).

Outras medidas

O Comitê também definiu o rodízio do fornecimento de água na cidade; a suspensão do regamento de praças, campos e jardins municipais; a suspensão da utilização de caminhões pipa para molhar estradas, da lavação dos veículos municipais, com exceção da higienização interna das ambulâncias; uma campanha de conscientização do uso da água nas escolas municipais e demais órgãos públicos; a intensificação do cercamento de nascentes e o desenvolvimento do programa Guardião dos Igarapés, que visa à conservação da água. Algumas dessas medidas já haviam sido adotadas anteriormente.

Segundo o prefeito de Igarapé, José Carlos Gomes Dutra, Kalu (PPS), a prefeitura está em processo de mobilização de todos os órgãos municipais e espera que a população também se mobilize na economia de água durante esse período de estiagem. “Com a criação do comitê, estamos montando um esforço concentrado com foco neste momento atípico de falta de chuva, criando um órgão que auxiliará na tomada das decisões necessárias para enfrentar a situação”.

Previsão de chuva

Conforme Heriberto dos Anjos, meteorologista do Centro de Climatologia da PUC Minas Tempo Clima, a situação só deve mudar a partir da segunda quinzena de novembro. “Devido à mudança de estação, a climatologia prevê pancadas de chuvas para esse mês, mas o volume não será suficiente para mudar esse quadro das reservas. A situação deve se modificar a partir da segunda quinzena de novembro. Em novembro e dezembro devem ocorrer pancadas de chuvas constantes na RMBH e em várias partes do estado. Assim, a nossa expectativa é que com as chuvas frequentes, os níveis das reservas voltem ao normal”, afirma. 

Economize – BOX

Independente do tempo de seca é necessário adquirirmos cuidados básicos para economizar água. Fique atento às dicas:

1-      Não deixe a água correndo enquanto estiver escovando os dentes. Uma única pessoa pode economizar 1,9 milhão de litros de água ao longo da vida simplesmente escovando os dentes com a torneira fechada.

2-      Canos furados e vazamentos são desperdício de água potável e dinheiro. Um buraco de 2 mm em um cano desperdiça 96 mil litros em um mês (praticamente dez carros-pipa de água limpa e tratada).

3-      Para lavar louça, o ideal é retirar o excesso dos utensílios, antes de abrir a torneira, e jamais deixar a água correndo enquanto está ensaboando as louças. 

4-      Se cada brasileiro diminuísse em, apenas, um minuto seu tempo de banho no chuveiro, a energia economizada em um ano equivaleria a 15 dias de operação da usina Itaipu em sua geração máxima.

5-      Na hora de escolher um vaso sanitário para o seu banheiro, opte pelos modelos com caixa acoplada, que gastam bem menos água.

6-      Com regador, essa é a forma mais econômica de regar suas plantas. Se o uso da mangueira for necessário em gramados muito grandes, opte pelo menos pelo modelo de "esguicho-revólver".

7-      Na limpeza de quintal e calçadas use vassoura. Se precisar utilize a água que sai do enxágue da máquina de lavar.

8-      Não a deixe a caixa d’agua transbordando e mantenha-a tampada.

9-      Evite lavar o carro em períodos de escassez, mas, se for realmente necessário, use balde com água. O gasto médio de uma mangueira, em 30 minutos, é de 560 litros de água. Se usar um balde de 40 litros, você economiza 520 litros. 

10-  Deixar acumular roupas para, só então, ligar a máquina de lavar é o ideal para economizar água.

Fontes: Manuais de Etiqueta do Planeta Sustentável; Organização das Nações Unidas; Instituto Akatu pelo Consumo Consciente; Sabesp.

Fonte: Folha Vale do Paraopeba

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