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Folha Vale do Paraopeba

Entrevista: Ivair Nogueira

Único a conquistar uma vaga na ALMG no próximo mandato

Há cinco mandatos, o deputado estadual Ivair Nogueira (PMDB) segue ininterruptamente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A próxima legislatura promete ser ainda marcante, pelo fato de ter sido o único candidato radicado em Betim a conseguir uma vaga como parlamentar. Atualmente Ivair é o 1º vice-presidente da ALMG, e por lá já ocupou cargos em comissões sobre Transportes, Obras Públicas e Comunicação, Administração Pública, Constituição e Justiça e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

Antes de se tornar deputado, Ivair Nogueira do Pinho, que é engenheiro e advogado, já foi secretário municipal de obras, vice-prefeito e prefeito de Betim. Também já foi secretário de Estado de Esportes, durante o governo de Itamar Franco.

Nessa entrevista exclusiva concedida por e-mail à Folha Vale do Paraopeba, Ivair adianta que apoia Dilma Rousseff (PT) na corrida eleitoral que se encerra no próximo dia 26, que fará parte da base de sustentação de Fernando Pimentel (PT), eleito governador de Minas no primeiro turno e diz que tanto Carlaile Pedrosa (PSDB) e Maria do Carmo Lara (PT) “pagaram pelos próprios pecados e até pelos pecados dos outros”. Confira a entrevista com o único parlamentar de nossa região eleito no último dia 5 de outubro.

Folha Vale do Paraopeba: Como o senhor avalia a última eleição. Ela foi mais difícil que as outras em que o senhor foi eleito?

Ivair Nogueira - Foi uma eleição atípica em que, mais do que nas outras, a Copa do Mundo teve uma interferência maior, reduzindo o período oficial de campanha. Talvez por ter acontecido aqui no Brasil. Mesmo assim, procuramos fazer uma detalhada prestação de contas do nosso trabalho e dos nossos compromissos com a população. O resultado total da nossa votação ficou dentro das previsões. Sou majoritário em vários municípios, conforme o esperado, mas se em alguns municípios fomos surpreendidos por um volume de voto inferior às expectativas, em outros tivemos a grata surpresa de uma votação altamente expressiva. Mas faz parte das contingências do momento de cada cidade. 

FVP: Em sua opinião, a grande oferta de candidaturas pode ter dispersado o eleitor ou o betinense respondeu negativamente aos dois principais blocos partidários da cidade e aos demais candidatos considerados “nanicos”?

IN - Betim ainda vive sob o efeito do que se viveu nos últimos 20 anos, com uma estagnação natural da polarização, sem alternativa ou opções para o eleitor. Tudo por força, principalmente, do poder econômico e da mídia. Mas a resposta a tudo isso foi dada nas urnas e, com certeza, já vamos começar a viver uma nova realidade, com perspectivas de grandes mudanças e renovações. E espero poder contribuir muito para isso. Posso dizer que experimentei de todas as situações na política municipal, procurando desenvolver um trabalho integrado, alheio a interesses partidários e de grupos, com foco nas reais necessidades de Betim. Atuei sob a mira de campanhas negativistas e enfrentei obstáculos inimagináveis. Mas, agora, o betinense parece mais alerta, sabendo distinguir quem quer e quem não quer o bem de Betim, e creio que vou poder contribuir em muito para esse novo tempo.

FVP: Nos seus mandatos anteriores quais foram os principais projetos apresentados pelo senhor na ALMG? O que de fato virou lei?

IN - Considero como as mais importantes: a lei que fez com que a realidade prisional alcançasse avanço considerável com o nosso trabalho como relator da CPI Carcerária, investigando e provocando mudanças no sistema penitenciário do Estado; a lei que qualifica o combate à violência contra a mulher, determinando notificação compulsória de atendimentos à mulher nos serviços públicos de urgência e emergência; a lei que assegura às pessoas com deficiência visual o direito de receber os boletos de pagamento de contas da água, energia elétrica e telefonia confeccionados em Braile; lei que tornou obrigatória a exibição, antes das sessões de cinema, de filmes publicitários sobre as consequências do uso de drogas; lei que aumenta a renda própria das escolas estaduais, com a autorização a comercializar espaços publicitários em seus muros e fachadas.

FVP: Quais são os seus projetos para a próxima legislatura? Já pode adiantar alguma proposta?

IN - Evidente que sim, afinal, quem não tem proposta não pode aspirar a cargo nenhum. Estou empenhado a buscar novos meios de assegurar ações de combate à violência contra a mulher e quero me dedicar também às questões das crianças e adolescentes, e também dos idosos. Vou aos limites das prerrogativas de um parlamentar para contribuir por uma regulamentação de ações integradas das forças policiais em Minas. Tenho como grande desafio e quero ver tornar realidade a harmonia entre os poderes públicos municipal e estadual. Vamos buscar a garantia de um maior investimento na Educação em tempo integral. Vou continuar direcionando emendas orçamentárias para melhorias físicas e de equipamentos e materiais para escolas e outras unidades do serviço público. Enfim, vamos continuar com o mesmo comprometimento e trabalho que marcaram o nosso trabalho em cinco mandatos.

FVP: O senhor firmou compromisso com o Movimento Nossa Betim pelo desenvolvimento sustentável da cidade. O que pretende propor nesse sentido?

IN - Eu não diria propor. Prefiro afirmar que assinei aquele documento que praticamente me obriga a estar pronto a trabalhar em conjunto com o Nossa Betim e todas as forças da sociedade envolvidas nessa inestimável iniciativa. Então, serei um parceiro a emprestar todos os recursos de que disponho para que se consigam avanços projetados. O Nossa Betim tem estudos abalizados da realidade que vivemos. Quer dizer, tem diagnósticos e prognósticos. E o que temos a fazer é contribuir para operacionalizar ações. Estou à disposição desses oportunos parceiros.

FVP: Como se dará o relacionamento do deputado Ivair Nogueira com o governador eleito Fernando Pimentel? O senhor irá compor a base do novo governo?

IN - A nossa relação é a melhor possível. Nossos interesses se convergem em termos da busca do que for melhor para o Estado e para os municípios. E estamos amparados pela plena harmonia entre os nossos partidos. Fui candidato e eleito para ser deputado. E pretendo seguir dentro do planejamento de atuação que resultou em importantes realizações e conquistas para Betim e todos os mineiros. Não se trata de um discurso conveniente, mas de uma posição coerente. Já me considero um deputado da base de sustentação do novo governo de Minas, mas com a independência de atuação, com senso crítico e construtivo.

FVP: Qual a sua avaliação do governo Carlaile Pedrosa (PSDB) em Betim?

IN - Como eu disse anteriormente, Betim passa por um momento muito difícil, consequência de uma série de equívocos dos exageros na disputa política e da interferência externa na política da Administração Pública. E o Carlaile, assim como a Maria do Carmo, pagou pelos próprios pecados e até pelos pecados dos outros. Eu até arriscaria dizer que o Carlaile está acordando para isso. Por isso, acredito em uma retomada do equilíbrio. Tem um problema muito sério que venho batendo na mesma tecla, mas que vejo que agora estão percebendo: não podemos misturar política partidária com política administrativa. Nós devemos governar para o povo e não para partidos ou grupos. Disputa política deve existir somente nas eleições, depois, os interesses devem se convergir para a superação de problemas do município.

FVP: Qual a sua relação com os prefeitos Kalu (Igarapé), Luciano (São Joaquim de Bicas), Valéria (Juatuba), Brandão (Brumadinho), Werther (Sarzedo) e Elson Jr (Mário campos). O que essas seis cidades podem esperar do deputado Ivair?

IN - É como acabei de falar. Não vejo diferença quanto as nossas responsabilidades como deputado e como prefeitos. Evidente que, dada à maior aproximação com um prefeito, certamente, que a relação de confiança e comprometimento fluirá melhor, mas estarei pronto a dar as mãos, construir a melhor relação possível para que as cidades sejam atendidas na maioria de suas prioridades.

FVP: O senhor ainda pensa em eleger seu filho Vitor e sua esposa Leia para algum cargo eletivo em eleições próximas? Quem será o seu sucessor na carreira política?

IN - Todos nós somos candidatos em potencial, a diferença entre um e outro cidadão está na vontade e na disponibilidade. Meu filho e minha esposa, por exemplo, somente serão candidatos a algum cargo eletivo, se quiserem e, se assim decidirem, serei o primeiro a apoiá-los. Mas diria que isso virá de forma natural. Nenhum de ambos saiu candidato por imposição ou obrigação, foi porque quiseram. E assim será daqui pra frente. O meu sucessor será, independente de vínculo por parentesco, àquele que demonstrar conhecimento e competência em dar continuidade a um trabalho de sucesso, comprovado pelas urnas ao longo desses mais de 30 anos de vida pública.

FVP: O senhor irá apoiar Dilma Rousseff ou Aécio Neves no segundo turno e por qual motivo?

IN - Insisto no que venho falando. Num período de campanha, devemos nos posicionar, defender as propostas de partidos e coligações das quais fazemos parte e que julgamos serem as ideais para o nosso município, nosso estado. Então, estou com a Dilma, mas, independente do resultado, estarei defendendo as aspirações e expectativas da população. É assim que tem que ser, caso contrário, se um adversário é eleito e fazemos parte de forças contra a realização de um melhor governo, estaremos fazendo parte do grupo desprezível da máxima do "quanto pior o governo, melhor para a oposição". E aí, a população fica desamparada.

Fonte: A redação

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