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Folha Vale do Paraopeba

Tolerância zero contra pichadores

Autoridades municipais de Igarapé fecham o cerco contra pichadores e preveem punições severas

 

No dia 22 de agosto, em Igarapé, foi realizada uma reunião no Fórum da comarca para a discussão de um assunto que há tempos vem preocupando a população: a ação de pichadores. Para participar das discussões, membros do Ministério Público, das polícias Civil e Militar e da prefeitura municipal reuniram-se com jovens infratores e seus familiares, para discutirem as ações que serão tomadas na cidade.

De acordo com a juíza Patrícia Narciso Alvarenga, os jovens, muitos deles, menores de idade, praticam o crime por pensarem que não podem ser punidos. Até o momento, as penas que haviam sido aplicadas se resumiam no reparo ao patrimônio danificado, mas, de agora em diante, os casos serão tratados com mais severidade, pois foram constatadas reincidências. “Se condenado, o pichador pode ser apreendido por um período de um a doze meses, em regime fechado”, explica.

A ideia central da reunião, além de esclarecer as dúvidas dos pais e envolvidos, é frisar que o município está unido para repreender todas as ações praticadas, mas também, trabalhar com a conscientização e educação da população. “Não estamos aqui para condenar ninguém, estamos apenas discutindo um problema que acontece no município. Aqui temos jovens de 16 a 23 anos. Se para um menor, apreendido pichando, é feio, imagina para quem é maior de idade?”. Comenta a juíza.

De acordo com o promotor de justiça Ronaldo Crawfort, a situação na cidade é preocupante, pois até o muro do fórum foi pichado.. “Sabemos que a grande maioria dos presentes tem participação com as pichações sim. Estamos trabalhando para identificar quem pichou o que. Sendo maior ou menor, a lei prevê punições para todos os casos. Não abriremos mão da reparação dos danos causados”.

O delegado da Polícia Civil de Igarapé, doutor Rômulo Guimarães Dias, afirma que todos os apreendidos são registrados e suas assinaturas (marcas deixadas nas pichações) são armazenadas nos bancos de dados, para que possam ser rastreadas mais infrações da mesma pessoa. “Cada pessoa possui uma forma de escrita diferenciada, um traçado padrão. Temos pessoal qualificado para realizar exames grafotécnicos e descobrir quem cometeu a infração. Vale lembrar que aqueles que pensam em mudar suas assinaturas correm o risco de piorar a situação. Tentar alterar uma prova criminal só aumenta a gravidade do delito”.

Muitos pais demonstraram grande constrangimento com a situação e afirmaram que estão acompanhando o comportamento dos filhos. Uma mãe, que não quis se identificar, afirma que o filho arcou com todos os gastos necessários para apagar a pichação. “Ele estuda de manhã e trabalha a tarde. Todos os materiais necessários para pintar o muro foram pagos por ele mesmo, que teve que reparar o erro nas horas vagas. Ele errou e tem que pagar por isso, saber que não pode sair por ai, destruindo o patrimônio alheio. Agora sim, ele sabe o trabalho que dá e quanto custa uma lata de tinta”, desabafou.

As policias Militares e Civis das cidades de São Joaquim de Bicas e Betim explicam que nas localidades, poucas ocorrências são registradas sobre pichações, mas garantiram que tratarão da mesma forma que as autoridades de Igarapé as ocorrências. “Em São Joaquim de Bicas, os jovens não possuem essa cultura de pichar patrimônios públicos e particulares, mas estamos de olho. Se algum for apreendido, será punido de acordo com o previsto na lei”, garante o tenente João Guilherme Ferreira.

Reunião já rendeu frutos

Os jovem também tiveram direito de se expressar. Todos os que falaram, demonstraram arrependimento pelos crimes, mas reivindicaram à Prefeitura de Igarapé espaços públicos, para que possam desenvolver seus trabalhos, de forma legalizada.

No mesmo dia, alguns jovens foram convidados a participar de uma reunião com representantes da Secretaria de Meio Ambiente. Durante o encontro, foram discutidos os impactos negativos que as pichações proporcionam à cidade e também, como tais atitudes podem ser substituídas por artes.

De acordo com Cléber Lúcio, secretário de Meio Ambiente, é de interesse do município ceder espaços para que jovens capacitados possam expressar suas ideias. Nesse primeiro encontro, foi acordado que os interessados farão uma inscrição para participarem de aulas e workshops sobre o grafite e também apresentarão ideias de locais e temas que poderão ser ilustrados pela cidade. Novas reuniões serão realizadas para amadurecer a ideia. Inicialmente, locais como a trincheira, muros de escolas, creches e postos de saúde foram citados, para que possam receber as artes, seguindo temas pré-selecionados. Vale ressaltar que o projeto que está sendo desenvolvido pela prefeitura, em parceria com os jovens, não neutraliza as possíveis punições que os pichadores estão sujeitos.

 

O que é pichação?

É o ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edificações, asfalto de ruas ou monumentos, usando tinta em spray, que tem como uma de suas principais características, a difícil remoção das marcas. Em Igarapé existe uma ordem administrativa que proíbe os estabelecimentos a venderem tintas spray para menores de 18 anos, mas a fiscalização de tal atitude é complicada. “A Polícia Civil não possui condições para investigar como as tintas chegam às mãos dos jovens, que podem comprar normalmente em cidades vizinhas ou até pedir para maiores adquirirem. Para resolver o problema na região, é fundamental trabalhar com a educação desses jovens”, finaliza doutor Rômulo.

Fonte: Folha Vale do Paraopeba

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